27/07/2018 às 07h09min - Atualizada em 27/07/2018 às 07h09min

100 milhões de árvores foram derrubadas no Xingu em seis meses

Galileu / Rádio Eldorado
Araguaia Notícia

Em apenas seis meses, cerca de 100 milhões de árvores foram desmatadas na Bacia do Xingu, que tem 531.250 km². Segundo a plataforma Rede Xingu +, a derrubada de 70 mil hectares de florestas no Pará e em Mato Grosso foi causada pela pressão da expansão da agropecuária, grilagem de terras (falsificação de documentos), retirada ilegal de madeira e expansão do garimpo. 

Só em junho deste ano, 24.541 hectares foram destruídos, sendo que 7 mil estão dentro de áreas protegidas, tais como terras indígenas e unidades de conservação. Os dados são do relatório Sirad X, sistema de monitoramento de desmatamento do Instituto Socioambiental (ISA). 

De acordo com o ISA, ribeirinhos e povos indígenas já fizeram denúncias para os órgãos governamentais, mas isso não impediu que as atividades ilegais continuassem na região do Xingu. 

No Pará, a Terra Indígena (TI) Ituna Itatá, de um povo indígena isolado, registrou três hectares destruídos em maio deste ano. No mês seguinte, junho, o número saltou para 756 hectares. A região fica próxima a um canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, e o ISA aponta que o desmatamento na área iniciou com a construção da usina. Além disso, o Sirad X indica que a derrubada da floresta do TI é consequência da ação de grilagem.

A Floresta Nacional (Flona) de Altamira, no oeste paraense, teve 800 hectares desmatados em junho, um amento de 1000% em relação à maio, quando 80 hectares foram destruídos. Segundo o ISA, a área da mata protege os rios Iriri e Xingu, sendo estratégica para a preservação da Bacia do Xingu. 

Já na Floresta Estadual do Iriri, vizinha à Flona, foram detectadas 57 quilômetros de estradas usadas para extração e escoamento ilegal de madeira. As informações do Sirad X apontam que isso ocorreu apenas nos últimos dois meses. Além disso, mais de 100 hectares da floresta foram desmatados sem autorização do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), que administra a área. 

Tanto a Flona e a Floresta do Iriri estão próximas ao município de Novo Progresso, no Pará. Para o ISA, o desmatamento e aumento de garimpos na região é sinal de que a cidade está pressionando as áreas protegidas de seu entorno. Isso porque Novo Progresso possui histórico de conflitos socioambientais, sendo que o ex-prefeito, Tony Fábio, já foi acusado de ocupar áreas na Floresta do Iriri de forma irregular.


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