De coração dividido, jornalista que morou no México e Barra do Garças gritou olé para as 2 seleções
Isa Souza quando tinha 17 anos morava em Barra do Garças e fez intercâmbio no México para estudar. Ela disse ao site RDNews que o coração ficou dividido no jogo de ontem, mas ao final certamente feliz pela classificação do Brasil
Arquivo Pessoal
Quando o assunto é futebol, o coração da jornalista Isa Sousa, 34 anos, fica dividido. É que ela já fez intercâmbio no México, na adolescência, para aprender espanhol, e atualmente mora em Cuiabá. Tem paixão pelos dois países, que lutam para superar dificuldades com garra.
No México, além de aprender espanhol, fez muitas amizades. “Ainda mantenho contato com quem estudei. Hoje mesmo falei com um amigo por WhatsApp para brincar sobre o jogo desta segunda. O mexicano é muito receptivo, engraçado e muito caloroso com quem vem de fora. Nunca tive problemas por lá em relação a me adaptar a um novo país”, comenta. Na temporada, contou ainda com amigos brasileiros. "Intercambistas como eu”, ressalta.
Isa ainda se lembra da experiência. Tinha 17 anos e esta era a primeira vez que saía de casa, partindo do interior de Mato Grosso, em Barra do Garças (a 521 Km de Cuiabá) para um mundo novo e estrangeiro. As lembranças não saem da memória.
Para Isa, ambos os países têm pessoas que, apesar dos pesares, não deixam a peteca cair, uma realidade comum na América Latina. “São regidos por muita corrupção na política infelizmente. Também acho que a religiões cristãs estão muito presentes. Tem uma cidade no México, Cholula, que é famosa por supostamente ter 365 igrejas, uma para cada dia do ano”, relata.
A jovem morou em uma cidade chamada Cuernavaca, que é a capital do Estado de Morelos e ao lado da Cidade do México, capital do México. “Naquele Estado tem lance muito forte ainda com o Día de Los Muertos e essa data é muito especial pra eles e, claro, se tornou para mim também”, detalha. Desta mística, surgem as caveiras mexicanas como a Catrina.
Isa acha interessante o povo ter uma relação diferenciada com a morte. Para os mexicanos, é mais uma etapa e pode ser feliz e colorida. "É incrível". Entre os passeios que fez, descreve que teve oportunidade de conhecer toda a rota Maia, que vai até a Guatemala e o Estado de Chiapas, que tem o movimento zapatista e isso é ainda presente para eles.
A experiência é como um divisor de águas e, com relação ao México, elogia que é um lugar incrível, com uma história cultural maravilhosa e passado difícil mas ainda hoje, como o Brasil, enfrenta desigualdades sociais. “O México tem questões sensíveis por estar ao lado da fronteira norte-americana e para muitos mexicanos ir para os Estados Unidos é sinônimo de buscar uma vida melhor. Todavia, são muito nacionalistas. Em cada casa tem uma bandeira mexicana na porta e isso bem antes da Copa”, recorda.
Algo que a impressiona além do nacionalismo é o fato de fazerem questão de mostrar pirâmides e a herança asteca e maia.
Na Copa de 2002 que acompanhou do México, Isa torceu muito. “Tenho gritos de guerra da torcida mexicana até hoje na minha cabeça. Apesar de anos terem se passado, é como se o país fosse sim minha segunda casa. Eu torço pelo Brasil, mas é claro que se o México ganhar eu não vou ficar triste”, confessa.
Brasil e México se enfrentaram no dia 2/7 pelas Oitavas-de-final da Copa do Mundo da Rússia e a seleção brasileira se deu bem e venceu por 2 a 0 com gols de Neymar e Firmino. Nas quartas-de-final, o Brasil enfrentará a Bélgica na sexta-feira às 15 horas pelo horário de Brasília.
FONTE: Araguaia Notícia
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