10/06/2018 às 10h39min - Atualizada em 10/06/2018 às 10h39min

Polícia diz que avó deu chás abortivos a mãe da recém-nascida indígena enterrada viva

A garotinha luta pela vida num hospital de Cuiabá. Os policiais que a salvaram foram homenageados pelo governador Pedro Taques na semana passada

G1 MT
Araguaia Notícia
A avó da índia recém-nascida – que foi resgatada depois de ser enterrada viva pela família dela, na terça-feira (5), em Canarana, a 838 km de Cuiabá – deu chás abortivos para a filha dela para tentar interromper a gravidez, segundo a Polícia Civil.

Tapoalu Kamayura, de 33 anos, foi presa nessa sexta-feira (8), suspeita de premeditar o crime, para evitar que a filha se tornasse mãe solteira. A bisavó da bebê, Kutsamin Kamayura, de 57 anos, também foi detida e teve a prisão preventiva decretada após audiência de custódia.

De acordo com a Polícia Civil, a avó da bebê tinha conhecimento da gravidez da filha de 15 anos e, em razão da adolescente ser solteira, ministrou chás abortivos para ela durante todo o período gestacional.

A índia recém-nascida sobreviveu depois de ficar seis horas enterrada e foi resgatada por policiais, que registraram o resgate em vídeo (veja logo abaixo).[Índia recém-nascida é resgatada após ser enterrada viva por família em MT]Índia recém-nascida é resgatada após ser enterrada viva por família em MT

A bisavó da menina disse à polícia que achou que a bebê bateu a cabeça no chão durante o parto, que ocorreu no banheiro da casa onde a família mora, e não chorou ou reagiu. Ela afirmou que, ao pensar que a bebê estava morta, decidiu enterrá-la no quintal da casa.

A mãe da adolescente foi ouvida na delegacia e liberada.

Estado de saúde

A bebê está internada desde quarta-feira (6) em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá.

Ela passou por uma cirurgia para passagem de catéter para fazer diálise peritonial, uma vez que apresenta quadro de insuficiência renal.[Recém-nascida foi levada para o Hospital de Água Boa logo após ser resgatada.

Resgate

A Polícia Civil estima que a criança ficou enterrada por seis horas – entre as 14h e 20h de terça-feira em uma cova de 50 centímetros de profundidade.

A menina foi levada às pressas por uma ambulância para o hospital da cidade. Ela recebeu oxigenação e começou a ser atendida na unidade de saúde.

Os médicos descobriram que a recém-nascida teve um afundamento no crânio. O bebê passou por um exame de raio-X que apontou duas fraturas na cabeça.
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