14/03/2018 às 13h46min - Atualizada em 14/03/2018 às 13h46min

Líder do Comando Vermelho gerenciava ações criminosas em MT de dentro de presídio

A investigação sobre esse grupo começou na cidade de Barra do Garças onde foram cumpridos 17 dos 38 mandados expedidos pela justiça

Francis Amorim e Bárbara Sá / Rd News - Cuiabá
Araguaia Notícia
De dentro do presídio, Reinaldo Silva Rio, o "Snype", comandava as ações criminosas do Comando Vermelho. A revelação foi feita na quarta (14) após a deflagração da operação 10º Mandamento, que desarticulou parte do grupo. Snype, que já esteve preso em Cuiabá, foi trasferido para Catanduvas (Paraná).

Segundo as investigações, conduzidas pela Polícia Civil, Wanderson Pinheiro, o Caju, preso em Cuiabá, era o responsável pelo setor de recursos humanos do grupo e é acusado de orquestrar diversas ações criminosas. As penas imputadas a ele correspondem a 40 anos de detenção. Apesar disso, Caju estava solto monitorado com tornozeleira.

Em coletiva na na Capital, a Polícia Civil apresentou o organograma da facção criminosa, que distribuia funções para cada membro. Além de Snype, foram alvos Wanderson Pinheiro, o Caju, relações humanas da organização em Cuiabá, Aldemir de Assis Campos, o Japa, Gilson dos Santos, o Tião/Russo, Amaury Milhomem, o Sofrimento, Fabio Barbosa, o Barbosa, Carla Eduarda dos Santos, a Duda, e Emmylee Souza, a Princesinha. As garotas tinham sido presas em Barra do Garças. 

De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública (Sesp), Gustavo Garcia, as ações realizadas pela Polícia Civil no combate ao crime organizado em Mato Grosso, foram silenciosas, firmes e eficientes. O secretário, acompanhado por delegados que coordenaram a operação, destaca as medidas tomadas pela Sesp.

"Muitas vezes a sociedade anseia por respostas rápidas, mas nosso compromisso é com a verdade, trabalhamos com fatos, por isso, temos o nosso tempo. A pressa é inimiga da perfeição. O compromisso da Sesp é garantir a segurança de todos", diz, ressaltando o trabalho da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a inteligência oficial que trabalharam para o resultado da operação. 

Em Barra do Garças, ponto de partida para a desarticulação da facção, o delegado Wilyney Santana Borges, informa que as investigações tiveram início há dois anos, quando viaturas do Centro Socioeducativo de Barra foram incendiadas em represálias ao trabalho dos agentes prisionais que atuavam no órgão. 

Além do atentado no Socioeducativo, a Polícia Civil descobriu também que partiu do Comando Vermelho os atentados contra a 1ª Delegacia de Polícia, Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, alvos de tiros e a um agente prisional, que teve a casa atingida por um coquetel molotov. 

Durante o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Civil executou 17 mandados em Barra, sendo dentro da cadeia pública e seis pessoas que estavam em liberdade. Em Cuiabá, foram cumpridos seis mandados de prisão, em Água Boa foram10, em Goiânia (GO) foram dois, e um em Catanduva (SP). Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 13 de busca e apreensão. 

"A partir das investigações, descobrimos que as ações eram comandadas de dentro dos presídios. Além dos atentados, as lideranças determinavam outros delitos, como furtos, tráfico de drogas, assaltos e ainda está sob investigação o homicídio de uma pessoa que ocorreu dentro da cadeia pública de Barra do Garças no final do ano passado", pontua o delegado. 

Ainda conforme as investigações, as ações do Comando Vermelho obedeciam uma hierarquia. O líder neste caso é Renildo Silva Rios, preso em Catanduvas na mesma penitenciária onde o considerado fundador do CV em Mato Grosso, Sandro Louco, está recluso. Snype determinava o que deveria ser feito. A Polícia Civil descobriu ainda que a facção possuía um organograma com a distribuição de conselhos integrados por outros detentos. 

Em Barra do Garças, segundo a direção do Centro de Prisão Provisória, o Comando Vermelho era gerenciado pelos detentos Fábio Barbosa e Pedro Henrique, presos pelo envolvimento com assaltos e tráfico de drogas. "Eles determinavam o que deveria ser feito, seguindo sempre orientações de seus superiores", explica o diretor da cadeia, Jaílson André Costa e Silva.
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