07/03/2018 às 15h43min - Atualizada em 07/03/2018 às 15h43min

Servidor diz à CPI que dinheiro que prefeito de Cuiabá aparece recebendo pode ser de pesquisa feita pelo irmão

G1 MT
O servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e ex-segurança da Casa Civil do estado, Valdecir Cardoso de Almeida, prestou depoimento, nesta quarta-feira (7), à CPI do Paletó, na Câmara de Vereadores de Cuiabá, sobre as gravações que mostram o prefeito da capital, Emanuel Pinheiro (MDB), e outros políticos recebendo dinheiro vivo supostamente de propina.

Valdecir foi apontado pelo ex-chefe de gabinete do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (MDB), Sílvio Corrêa, como o responsável por instalar uma microcâmera no gabinete dele para gravar políticos recebendo suposta propina. No entanto, no depoimento, ele negou ter instalado e disse que apenas a centralizou.

À época, Valdecir afirmou que atuava como segurança de Sílvio Corrêa e que ficava com o telefone pessoal dele. Ele disse ter atendido ligações do irmão de Emanuel Pinheiro cobrando do então chefe de gabinete uma dívida com pesquisa de intenção de voto.

"Diariamente o Popó (Marco Polo de Freitas Pinheiro, irmão do prefeito Emanuel Pinheiro) ligava para o Sílvio. Sílvio mandava dizer que iria agilizar os pagamentos. Sílvio disse que já estava resolvendo com Emanuel", declarou.

No entanto, ele disse não saber se o dinheiro que Pinheiro aparece recebendo em imagens entregues por Silval Barbosa e Sílvio Corrêa à Procuradoria Geral da República (PGR), no ano passado, em acordo de delação premiada, era para o pagamento dessa dívida de pesquisa citada por ele.

Ele, que é filiado ao MDB e trabalha atualmente como assessor parlamentar do deputado Romoaldo Júnior, do mesmo partido, se contradisse ao responder se tinha ou não conhecimento sobre as gravações.

Primeiro, ele disse que só ficou sabendo das gravações quando o caso veio à tona, com a delação de Silval Barbosa, e depois afirmou que tinha conhecimento que os deputados estavam sendo gravados.

O servidor comentou sobre uma declaração registrada em cartório que fez afirmando que o dinheiro que Emanuel aparece recebendo no vídeo era de dívida com o instituto de pesquisas, de propriedade do empresário Marco Polo de Freitas Pinheiro. Alegou não ter recebido nada para fazer isso.

Dinheiro de propina

À CPI, o ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Sílvio César Corrêa, disse, em depoimento prestado no dia 16 à CPI, que o dinheiro que Emanuel Pinheiro aparece recebendo em vídeo é de propina. Emanuel nega ter sido beneficiado com esquema de propina no governo.

Silval Barbosa também afirmou que o dinheiro era de propina. Segundo ele, o dinheiro foi entregue como parte de um acordo para aprovação de obras e projetos da Copa do Mundo de 2014, MT Integrado e outros programas do governo.
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