01/03/2018 às 23h31min - Atualizada em 01/03/2018 às 23h31min

Uma mulher é morta a cada 3 dias em Mato Grosso nos primeiros meses de 2018

Uma reportagem sobre este assuntoi foi colocada no ar hoje pelo site G1. Ao todo, 18 mulheres foram mortas entre janeiro e fevereiro. Na maioria dos crimes, a autoria é atribuída a namorados, ex-namorados, maridos e ex-maridos das vítimas.

André Souza - G1 MT / edição Clodoeste 'Kassu' no site Agua Boa News
Araguaia Notícia
Dezoito mulheres foram mortas em 59 dias dias de 2018 Foto: G1 MT
Uma mulher foi morta a cada três dias nos dois primeiros meses de 2018 em municípios de Mato Grosso, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT). Ao todo, 18 mulheres foram assassinadas entre janeiro e fevereiro. As vítimas são adolescentes, jovens e mulheres, entre 15 e 45 anos.
 
Para a defensora pública Rosane Leite, que atua em casos envolvendo homicídios contra mulheres, os números são altos e refletem o machismo histórico.
 
"Esse número é alto em razão de vivermos em um estado bastante machista e patriarcal. Isso porque as mulheres ainda são tratadas como seres humanos inferiores", afirmou.
 
Os assassinatos ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande, (região metropolitana de Cuiabá), Rondonópolis (a 218 km da capital), Cáceres (a 220 km de Cuiabá), Lucas do Rio Verde (a 360 km de Cuiabá), Guarantã do Norte, a 721 km de Cuiabá, Nova Ubiratã (a 506 km de Cuiabá) e Juara, a 690 km de Cuiabá.
 
Na maioria dos casos, a autoria do crime é atribuída a namorados, ex-namorados, maridos e ex-maridos das vítimas. Quase 80% dos casos registrados tiveram motivos passionais, segundo os dados.
 
"São homens que se sentem superiores e não aceitam o fim do relacionamento, acreditam na impunidade e discriminam", declarou a defensora.
 
Entre os casos registrados estão a morte da jovem Edilene Coelho dos Santos, de 30 anos, assassinada pelo marido. Ela estava amamentando o filho recém-nascido quando foi morta, no dia 17 de janeiro em Guarantã do Norte. Ademilson Nunes ainda não foi preso.
 
Vanessa Tito Poquiviqui Ramos, de 21 anos, foi encontrada morta no dia 31 de janeiro (Foto: Facebook/Reprodução)

Vanessa Tito Poquiviqui Ramos, de 21 anos, foi encontrada morta no dia 31 de janeiro (Foto: Facebook/Reprodução)

Vanessa Tito Poquiviqui Ramos, de 21 anos, foi encontrada morta no dia 31 de janeiro
(Foto: Facebook/Reprodução)
 
Em outro caso de repercussão, a da jovem Vanessa Tito Poquiviqui Ramos, de 21 anos, foi encontrada morta dentro de casa, no Bairro Três Barras, em Cuiabá, no dia 31 de janeiro.
 
Suspeito do crime, o jovem Maycon Júnior da Silva Dantas, de 30 anos, gravou um vídeo da vítima agonizando antes de morrer. Ele teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido. Maycon tem histórico e já havia agredido outras companheiras.
 
Giovana Sinopoli foim morta a facadas (Foto: Facebook/Reprodução)

Giovana Sinopoli foim morta a facadas (Foto: Facebook/Reprodução)

Giovana Sinopoli foim morta a facadas (Foto: Facebook/Reprodução)
 
Em Nova Mutum, uma adolescente de 16 anos foi morta pelo namorado também adolescente. Ele foi detido e alegou um 'apagão'.
 
Segundo a polícia, o adolescente deve ficar detido por 45 dias num Centro de Socioeducativo.
 
Luzinete Soares de Oliveira foi assassinada em Sinop (Foto: Facebook/Reprodução)

Luzinete Soares de Oliveira foi assassinada em Sinop (Foto: Facebook/Reprodução)

Luzinete Soares de Oliveira foi assassinada em Sinop (Foto: Facebook/Reprodução)
 
O caso mais recente foi registrado na quarta-feira (28), em Sinop. Luzinete Soares de Oliveira, de 48 anos, foi esfaqueada pelo marido. A filha e a mãe da vítima disseram aos policiais que Adolfo e Luzinete estavam discutindo na casa.
 
O marido passou a esfaquear a vítima e saiu da residência em seguida.
 
O caminho para prevenir e evitar as mortes de mulheres, segundo Rosana Leite, é conscientização.
 
"Os homens são assassinados por outros motivos. As mulheres são vítimas porque os homens se sentem superiores. A conscientização é o melhor meio para evitar novas mortes", afirmou.

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