24/02/2013 às 21h17min - Atualizada em 24/02/2013 às 21h17min

Ex-controlador que denunciou prefeito vive hoje sob proteção

Olhar Direto
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O ex-controlador da prefeitura de Bom Jardim-GO (a 32 km de Barra do Garças), Uillan Gomes de Santana Lopes de Sousa, que denunciou o prefeito Cleudes Bernardes da Costa, o Baré (PSDB) por enriquecimento ilícito, vive hoje sob proteção do programa de proteção a testemunha. Ele está entre os brasileiros protegidos pelo Ministério da Justiça que correm risco de morte por serem testemunhas em crimes de repercussão e atos de corrupção famosos crimes de colarinho branco que envolve políticos.

Por telefone, sem revelar em qual cidade está morando, Uillan conversou com a reportagem do Olhar Direto, quinta-feira (21), logo depois que saiu a decisão do desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Floriano Gomes, que suspendeu a liminar obtida por Baré em 2010 em Goiânia e mandou reabrir a investigação sobre enriquecimento ilícito do tucano.

A medida não só reabre o processo como também bloqueou os bens do prefeito e mais duas pessoas no valor de R$ 309 mil. Além de Baré, estão indisponibilizados os bens da cunhada do prefeito, Maria Auxiliadora Magalhães e de José Humberto Pereira, o Zezeca, apontado na denúncia feita por Uillan, como proprietário de uma empresa de fachada que estaria com o lixo da cidade.

Uillan disse que não tem medo de relembrar o caso. “O prefeito Baré traiu o povo porque ele era uma coisa na campanha e depois se transformou em outra. O desembargador fez o certo em reabrir a investigação”, completou. Segundo o ex-controlador, Baré estaria comprando fazendas e chácaras em nomes de terceiros e até mesmo gado.

Uillan nega interesse político na denúncia. “Eu não tenho vinculo com nenhum grupo político. Eu fiz a denúncia porque não concordo com a dilapidação do erário público. Sou filho de uma família fundadora de Bom Jardim e vou defender a cidade”, destacou.

O ex-controlador disse que pensou em voltar no ano passado para cidade e ser candidato a vereador porém ficou com medo de sofrer um atentado. Ele afirma que recebe sempre ameaças e por isso pediu a sua inclusão no programa de proteção a testemunha. Ele recebe um auxílio financeiro para se manter e tem sua integridade assegurada pelo estado.

Uillan deve retornar em breve em Aragarças, pois com a volta da investigação o processo deve ser remetido para o Ministério Público se pronunciar através da promotora Ana Paula. A ação original pedia além dos bloqueio dos bens, a cassação do mandato de Baré e a promotoria deve se manifestar se pedirá ou não o afastamento do tucano.

 

O OUTRO LADO

O prefeito Cleudes Baré está em Goiânia onde trabalha na sua defesa nesse processo e voltou a reafirmar inocência. Ele alega que as acusações do ex-controlador se deve a uma ‘pirra’ política pois foi mandado embora da prefeitura.

Baré chegou a vincular o denunciante ao grupo político do ex-prefeito Nailton que estaria junto com o grupo de Manoel Luis em Bom Jardim tentando prejudicá-lo. “Vou provar a minha inocência. O que doem neles é que a cidade de Bom Jardim cresceu e eles não querem admitir isso”, frisou.

Em dezembro do ano passado, Baré chegou a ter o diploma de reeleito cassado pela Justiça Eleitoral após denúncia de que ele teria concedido título de propriedade com finalidade de obter votos. O segundo colocado, Nailton de Oliveira (PMDB), chegou a passar o terno na expectativa de assumir o cargo.

Antes da campanha, Baré sofreu um atentado a bala quando estava chegando na chácara dele. Um dos suspeitos do crime, o sargento da Polícia Militar (PM) de Goiás, Dianari Lobo, está preso. Na época, o tucano disse que o crime seria político, pois não teria desentendimento pessoal com o militar. “Eu tive um problema político e não pessoal com o sargento”, contou na época Baré.

O tucano se reelegeu com 2.774 votos em torno de 47% dos votos do município goiano; o peemedebista Nailton ficou com 2004 votos cerca de 33%. Bom Jardim tem 8.048 habitantes. 


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