27/09/2017 às 16h07min - Atualizada em 27/09/2017 às 16h07min

Desembargador cita supostos promotores envolvidos na tentativa de afastá-lo do caso dos grampos ilegais

Para justificar a necessidade dos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão, o desembargador cita o risco à vida de testemunhas.

Rdnews
Ao decretar a prisão preventiva de secretários, ex-secretários e militares, o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça, aponta a suspeita de que um grupo de promotores de Justiça estaria envolvido na organização criminosa e interessado em seu afastamento das investigações do caso dos grampos ilegais, conhecido como “Grampolândia Pantaneira”.

Além disso, para justificar a necessidade dos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão, o desembargador cita o risco à vida de testemunhas.

O magistrado, a pedido da delegada Ana Cristina Feldner, que conduz o inquérito policial, determinou a prisão de oito pessoas na Operação Esdras, deflagrada pela Polícia Judiciária Civil na manhã desta quarta (27).

São eles: o delegado Rogers Jarbas, secretário estadual de Segurança Pública afastado; o coronel Airton Siqueira, secretário de Justiça e Direitos Humanos; o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar e sua esposa Helen Christy; além do advogado Paulo Taques, ex-chefe da Casa Civil; o sargento João Ricardo Soler; o empresário José Marilson; e o major Michel Ferronato, do setor de Inteligência da Sesp. Ele ainda não foi preso, pois está em Goiânia, mas deve se apresentar entre hoje e amanhã (28).

Na decisão, Perri justifica a não necessidade de se esperar um parecer do Ministério Público Estadual (MPE) quanto ao pedido da delegada. De acordo com o desembargador, foi necessário assegurar “sigilo total e absoluto das diligências”, por conta do possível envolvimento de promotores na organização criminosa.

“De acordo com depoimento prestado pela testemunha tenente-coronel Soares, ao que parece, não cuidava de um único membro do Ministério Público Estadual, e, sim, que haveria um grupo do Ministério Público interessado em meu afastamento das investigações”, diz trecho da decisão.

Segundo Perri, por esta razão, a delegada pleiteou, na representação, a manifestação postergada do MPE, sob o argumento de não possuir, ainda, nome de todos os “membros cooptados pela organização criminosa”.

Perri ainda justifica que o MPE tem levado, em média, sete dias para se manifestar sobre pedidos similares. O que, no caso concreto, em razão da urgência, poderá prejudicar o cumprimento das diligências, colocando em risco, inclusive, a integridade física e moral de uma testemunha, José Henrique Costa Soares, como também a do filho. Conforme Perri, eles teriam sido ameaçados por membro da organização criminosa.

Grampolândia

A denúncia envolvendo a existência de interceptações telefônicas ilegais foi feita pelo ex-secretário da Sesp, promotor de Justiça Mauro Zaque. O caso também é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com o desembargador, mais de 700 pessoas teriam sido gravadas ilegalmente, por meio da técnica conhecida como “barriga de aluguel”, em que números de telefones de pessoas sem conexão com uma investigação são inseridos em um pedido judicial de quebra de sigilo telefônico.
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