19/08/2017 às 00h29min - Atualizada em 19/08/2017 às 00h29min

Direção suspende fornecimento de cigarros para presos na cadeia de Barra do Garças

Cigarro em cadeia sempre foi tolerável mas pelo jeito essa história está com os dias contados. Aquela brincadeira vou te levar um maço de cigarro na cadeia pode virar só anedota mesmo

Ronaldo Couto / Araguaia Notícia
Após uma conversa com os presos e agentes penitenciários, a direção da cadeia de Barra do Garças decidiu suspender o fornecimento de cigarros para os presos a partir de segunda-feira (21/8). Os maços de cigarros normalmente são trazidos por parentes e visitantes para os presos fumantes.

Mas devido ao espaço pequeno e a proximidade com não-fumantes, a cadeia de Barra do Garças resolveu inovar suspendendo qualquer tipo de tabaco aos presos. Claro que os detentos fumantes não gostaram muito da notícia, mas a direção da cadeia explicou que estes serão acompanhados por médicos e psicólogos no tratamento para largar o tabagismo.

“Nós conseguimos comprimidos e fitas adesivas que ajudam neste tratamento para largar o cigarro e essa medida será benéfica para todos. Pode ter resistência no início, mas logo todos vão entender que é para saúde de todos nós”, destacou o diretor Jailson André Costa Silva.

Trata-se de uma decisão inédita e caso obtenha sucesso certamente será expandida para as demais unidades prisionais de Mato Grosso. A legislação que rege sobre execução penal no Brasil não trata diretamente deste assunto se o preso pode ou não pode ter acesso a cigarros, mas como a maioria dos presos é de fumante existe uma regra geral de deixar os presos terem acesso ao cigarro para evitar mais conflitos e confusões nas cadeias do Brasil. E cigarro passou a ser encarado com objeto pessoal que os parentes acabam levando para os presos.  

No estado de São Paulo, nos últimos anos, a população teve que se adequar a lei do antifumo onde bares e restaurantes tiveram que construir áreas de fumantes para não prejudicar o restante da população. Todavia, o sistema penitenciário do estado mais rico da nação continua alheio às restrições ao cigarro.

Ao contrário, os presos continuam tendo acesso ao cigarro. Fato que acontece na maioria das cadeias do país.  Mesmo com observância de médicos de que carcereiros e presos não-fumantes são prejudicados com a questão do cigarro sendo utilizado em celas pequenas sem ventilação e se tornam fumantes passivos. O uso do cigarro provoca doenças respiratórias e até mesmo o câncer. Ainda em São Paulo, o cientista político Guaracy Mingardi, especialista em Segurança Pública e membro do Fórum Nacional de Segurança Pública, explica que a questão é menos jurídica e mais prática.

“Há um medo das consequências de uma medida desse tipo. Há risco de rebeliões. Se você corta o cigarro de uma pessoa qualquer, ela fica hiperativa, nervosa, entra em parafuso. Imagine isso num sistema penitenciário”, afirma ele, citando ainda que a restrição acabaria com a “moeda de troca” dos presos, o que também traria descontentamento em massa.

A cadeia de Barra do Garças tem hoje cerca de 240 detentos e mais de 70% são de fumantes, portanto essa medida de cortar o cigarro pode provocar alguns transtornos na unidade prisional. A medida entra em ação na próxima segunda-feira e familiares já foram avisados que na próxima visita não podem levar mais cigarros. 
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