05/04/2017 às 07h31min - Atualizada em 05/04/2017 às 07h31min

A crise do armazém cheio em Canarana

Michel Fasolo, Jornal O Pioneiro
O clima ajudou no desenvolvimento da safra de verão e o tempo bom para a colheita, em reta final, também está colaborando. As colheitadeiras trabalham até tarde da noite, enquanto a umidade do ar permite. Com rendimento médio chegando a 60 sacas de soja por hectare, os produtores da Canarana até comemoram o resultado das lavouras, mas o cálculo mostra que o crescimento da produtividade não veio acompanhado por aumento de ganhos, por conta do preço da saca de soja.

A rentabilidade dos sojicultores dos quatro principais estados produtores do país, Paraná, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Goiás está próxima de zero. É o que aponta um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Há dez anos um grupo de pesquisadores do Cepea monitoram a rentabilidade do produtor rural em algumas atividades. A soja tem sido destaque negativo puxado justamente pelo aumento dos custos de produção. Apesar da super safra esperada, algo em torno de 107 milhões de toneladas, foi identificado que o preço pago ao produtor caiu e a receita liquida total está próxima de zero.

Para se ter uma ideia, em Canarana, no dia 30 de março, a saca de 60 kg de soja estava cotada a R$ 51,00 e a de milho a R$ 13,00. Com esse preço, os produtores precisam colher 70 sacas de soja por hectare para cobrir os custos de produção, que hoje estão estimados em R$ 3.500,00 por hectare, conforme o IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Venda antecipada foi de 50%
Conforme o jornal Gazeta do Povo, no Mato Grosso, 50% da produção de soja foi vendida antecipadamente pelos agricultores. Segundo o IMEA, o preço médio dos contratos foi de R$ 67,00 por saca. Porém, para 50% da safra não vendida, ou o produtor a vende por valores na casa dos 50 reais a saca, ou espera para ver se os preços sobem. Muitos não conseguem esperar e são obrigados e vender por preços baixos.

A crise do armazém cheio
Com essa realidade, os armazéns estão cheios de grãos de soja. A produtividade média em Canarana deverá ficar entre 50 e 60 sacas por hectare. Porém, tudo isso, para muitos produtores, não será o suficiente nem para cobrir os custos de produção, que dirá pagar as dívidas atrasadas.

De acordo com um produtor de Canarana que preferiu não ser identificado ‘’a safra esse ano foi muito boa, porém os custos não colaboraram com relação ao ano passado. Em 2016 com a péssima safra que tivemos o município colheu em torno de 42 sacas por hectares com um preço médio de R$ 65,00 por saca, que rendeu um faturamento de R$ 2.730,00 por hectare.

Já neste ano com a previsão de supersafra, estima-se que o município deverá produzir uma média de 54 sacas por hectare, porém o valor por saca de soja gira em R$ 50,00, resultando em um faturamento de R$ 2.700,00 por hectare.

De contrapartida esse ano os custos para produtividade aumentaram em 15% comparado ao ano passado. Estamos com uma produtividade alta, um custo alto e um faturamento baixo e o pior é que não tem previsão para aumento dos preços”.
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