30/01/2017 às 14h06min - Atualizada em 30/01/2017 às 14h06min

Amigos dão último adeus ao radialista William Gomes, autor do ‘dicionário cuiabanês’

Olhar Direito
Ronaldo Mazza/ALMT
Comunicador multidisciplinar, dono de um vocabulário inesgotável e sempre preocupado com a preservação da cultura mato-grossense, o professor universitário William Gomes faleceu na noite deste domingo (29), na Santa Casa de Misericórdia da Capital, e será enterrado às 13h30, no Cemitéiro da Piedade – área central de Cuiabá. Familiares, amigos e populares presentes ao velório, na Capela das Hortências – nos Jardins, enalteceram suas qualidades e, principalmente, sua preocupação em manter vivo ao menos parte do linguajar cuiabano – o chamado cuiabanês. 

Primo e afilhado, o jornalista Américo Correa, secretário de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), recorda que foi ‘transferido’ do rádio para o jornal impresso, na primeira metade da década de 1980, por orientação Gomes. “Ele era diretor da Federação de Futebol e eu o ajudava no Boletim Informativo. Então, pedi emprego na Rádio Difusora. Ele me pediu que imitasse a narração de Flamengo e Fluminense. E eu tasquei um Fra – Fru! Vai trabalhar em jornal, porque o rádio mato-grossense não agüenta dois Roberto França”, citou Américo, enfatizando uma característica do falar cuiabano, que permuta o ‘l’ pelo ‘r’, em algumas palavras.

O comunicador e empresário Antônio Carlos Ferreira Banavita conviveu muito tempo com William Gomes. “Era uma figuraça! Sem dúvida, ícone irrepreensível da nossa comunicação. Qualquer avaliação é pouca para defini-lo”, disse Banavita. 

O jornalista e escritor Eduardo Gomes de Andrade, o ‘Brigadeiro’, que é de Minas Gerais, definiu William Gomes como um “mineiro de coração com alama cuiabana”. Ele confessou que eram amigos nas redes sociais e recordou a dedicação de Gomes ao ‘dicionário cuiabanês’, em defesa da memória de Cuiabá. “Perdemos bons companheiros. William Gomes e, na véspera, o Noel Paulino. São perdas irreparáveis”, emendou Brigadeiro Eduardo Gomes.

O jornalista e radialista Max Aguiar lembrou que William Gomes foi o seu primeiro chefe, como diretor Artístico da antiga Rádio Cultura de Cuiabá. “Me mandou a Barra do Garças cobrir Mixto e Araguaia. Eu fiquei em dúvida sobre ir ou não e disse: professor William, eu sou gago! Ele me respondeu: você é profissional e vai conseguir. E deu certo. Lhe sou grato”, ponderou Max.

O ex-jogador Nelson Vasquez, de Mixto e Dom Bosco, foi amigo de William Gomes por décadas. “Tinha o maior coração do mundo. Ele era capaz de tirar a camisa do corpo e dar para um amigo”, revelou Nelson, entre lágrimas.

De velha guarda, o radialista Carlos Roberto Mortadela lembra que William era criador de quadros e bordões. “Ele criou o quadro Beco da Lama, para colocar os piores da música brega. E criou a absurda frase: coisas que acontecem e que jamais deveria ter acontecido”, lembrou Mortadela.

O radialista Sebastião Siqueira disse que aprendeu muito com professor William Gomes. “Ele criticava a administração municipal e estadual com bom humor. E sempre encerrava assim: quem somos nós para falar dessa gente [do poder]”, lembrou Siqueira, ex-editor e reporter da Rádio Cultura.

Compadre, amigo, motorista e coordenador de campanha de William Gomes, o radialista Gonçalo Vital recorda que consolidou, no rádio, graças ao seu mestre. “Fui sonoplasta dele. Então, me colocou para fazer horóscopo e resumo de novela. Depois, colocou o programa Limpa Banco, das 19 às 21 horas”, disse Vital.

Também amigo e compadre, o militar da reserva Tenente Lara Barros disse que conheceu William Gomes quando comandava o pelotão de Corumbá (MS). “Tudo o que fez, sem dúvida, fazia bem feito. Professor de História e comunicador sem igual”, completou Lara. (Colaborou Rogério Florentino Pereira).
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Se a empresa de Água continuar com serviço irregular, o que deve ser feito pelo prefeito? Deixê a sua opinião internauta

1.4%
5.3%
18.2%
75.2%