23/11/2016 às 22h42min - Atualizada em 23/11/2016 às 22h42min

Aluno conta que tenente sentou nas costas de Rodrigo e humilhava turma

Rdnews

Durante oitivas realizadas pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, na manhã desta quarta (23), um dos alunos que ajudou a retirar Rodrigo Claro, de 21 anos, da Lagoa Trevisan após o treinamento, relatou com riqueza de detalhes como a tenente Izadora Ledur de Souza, agiu na prova. “Nisso veio a tenente (Izadora) e deu uns caldos nele, e quando eu via, tentava puxar ele para cima. A tenente estava em cima dele, pelas costas, para tentar afogar o Claro”, disse no depoimento.
Segundo relatos, a tenente costumava ser cruel com os alunos do curso, com palavras torturava psicologicamente tanto as meninas como os rapazes. “Ela cuspia na cara dos alunos, jogava água na cara e humilhava as alunas”.

Os pais de Rodrigo foram ouvidos nesta manhã pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, e somente no sábado (26) prestarão esclarecimentos na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). “O medo é que este caso caia no esquecimento, assim como outros do tipo, e só venha a se resolver daqui a anos ou se torne inconclusivo. Em paralelo ao trabalho da polícia e da Corregedoria, a família também busca elucidar o que realmente aconteceu, para que isso não se repita com outros”, desabafa Jane Claro, mãe de Rodrigo, à reportagem do .

De acordo com o advogado da família, Júlio Cesar Lopes, oitivas estão sendo realizadas com testemunhas do acontecido. Além disso, vídeos e imagens do treinamento também serão analisados ao longo da apuração.

Durante a coletiva de imprensa realizada na terça (22), o coronel reforçou que a tenente não deve ser considerada como culpada antes que as investigações sejam finalizadas. “Nós não comungamos com esse tipo de atitude. Vivemos em um estado de direito no qual o acusado é inocente até que se prove o contrário. Temos que dar pelo menos o benefício da dúvida à tenente”.

Descaso

Jane diz que ficou chocada com relatos de alguns amigos do Rodrigo. “Pedi para pararem. É muito difícil como mãe saber que isso aconteceu com ele. Ele chegou 30 minutos antes para a prova, nos falamos, e o último contato que pude ter com o meu filho foi ele dizendo, por mensagem, que não estava bem e que estava indo para a coordenação. Depois só vi meu filho de olhos fechados”, conta.

Outro detalhe importante que ela relata foi que, quando Rodrigo chegou no comando geral, disse que estava passando mal e não acreditaram. “Fizeram chacota com ele. Rodrigo precisou falar firme que realmente não estava bem. E quando foi para a Policlínica do Verdão foi caminhando”.

Conforme a mãe, quando o pai de Rodrigo chegou na unidade hospitalar, ele já tinha tido duas convulsões. “Ninguém nos contou nada. Quando me ligaram perguntando se ele tinha plano de saúde, eu disse que sim, e que era para levá-lo para um hospital particular, mas isso somente aconteceu quando meu esposo chegou lá. Nós é quem levamos para o hospital”, afirma.

Omissão de socorro

O comandante alega que, apesar de não haver ambulância para acompanhar o treinamento com 37 alunos, havia um carro de apoio da corporação. Ele sustenta que só não foi usado, porque o aluno não teria informado aos superiores a situação.

Em decorrência das investigações, cinco oficiais e sete praças, que atuam na Diretoria de Ensino da Corporação, foram afastados até a conclusão do IPM. O coronel bombeiro Alessandro Borges Ferreira, responsável pelo IPM, espera concluir a investigação até, no máximo, 20 de dezembro. "Garanto que todos os 36 alunos da turma serão ouvidos e que o nosso objetivo é esclarecer todos os fatos que ocorreram durante o treinamento. Poderá, inclusive, haver uma reconstituição dos fatos", afirma.

Sobre a possibilidade de haver divergências ao final da conclusão do IPM e o inquérito da Polícia Civil, sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na opinião do comandante, o que deve ser considerado é a apuração da corporação, por entender se tratar de fato ocorrido durante treinamento e, por isso, ser da esfera militar.


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