17/11/2016 às 15h01min - Atualizada em 17/11/2016 às 15h01min

Tenente é afastada após morte de aluno - Veja vídeo

Gazeta Digital

Tenente acusada de torturar aluno bombeiro que morreu após passar mal em treinamento em lagoa é afastada pela comando da Corporação. Afastamento da tenente bombeiro Isadora Ledur, foi confirmada pelo coronel Bombeiro Alessandro Borges Ferreira, responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM) que apura as circunstâncias da morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, 21. Ele garantiu que a investigação será transparente e tem como finalidade apurar a verdade dos fatos que ocorreram naquele dia.

Família do aluno diz que Rodrigo foi vítima de tortura e omissão de socorro. Morte ocorreu na noite de terça-feira (15), mas os fatos ocorreram na tarde da quinta-feira (10), durante treinamento dos alunos na Lagoa Trevisan.

No comando do treinamento estava a tenente bombeiro Isadora Ledur, que segundo familiares, já teria avisado ao aluno que seria dura com ele, pelo fato dele sentir dificuldades com água. O aluno antes de ir ao treinamento mandou mensagem para a mãe, dizendo que estava com medo.


Mãe contou que Rodrigo tinha medo da tenente e denuncia tortura

A mãe de Rodrigo, Jane Patrícia Lima Claro, disse que colegas que acompanharam o treinamento na quinta-feira confirmaram a tortura praticada pela tenente, que por dezenas de vezes afundou o filho dela, mantendo-o debaixo d’água, durante as diversas travessias que os alunos foram obrigados a fazer. Três amigos dele que o puxavam para fora d’água.

Mesmo ao reclamar de fortes dores de cabeça, ao chegar do outro lado da margem, foi obrigado a retornar a nado e mais uma vez foi puxado para o fundo pela tenente. Ao final do treinamento, as dores de cabeça aumentaram e Rodrigo ainda vomitou.

Apesar da situação crítica, os superiores mandaram ele embora. Jane disse que foi exatamente às 16h42 que ela recebeu a mensagem do filho dizendo que não conseguiu terminar o treino e estava mal. Ele, sem qualquer ajuda, subiu em sua moto e veio pilotando até a sede do 1º Batalhão, no bairro Verdão.

Se apresentou ao comandante do curso, coronel Licínio, que ao ser informado que o jovem não se sentia bem, pediu para um sargento acompanhá-lo até a Policlínica, logo a frente do quartel. Logo ao chegar o jovem passou a sofrer as primeiras convulsões.

A partir daí perdeu a consciência, foi transferido para hospital privado da Capital onde foi submetido a uma cirurgia de emergência para instalação de um dreno, para combater a hemorragia forte no cérebro. Depois disso o jovem foi entubado e mantido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), vindo à óbito por volta das 22h de terça-feira (15).

Morte precoce do aluno que sonhava em seguir os passos do pai, também sargento dos Bombeiros revolta a família, que exige a apuração dos fatos e acusa a instituição de não dar assistência adequada ao jovem.

Após passar por necropsia no Instituto Médico Legal (IML), corpo de Rodrigo foi liberado para sepultamento. Durante parte da tarde de quarta-feira corpo ficou na sede do 1º Batalhão, no bairro Verdão. Segue para Tangará da Serra e posteriormente para ser sepultado em Sinop, na manhã de quinta-feira (17).


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