17/10/2016 às 20h06min - Atualizada em 17/10/2016 às 20h06min

Acusados de matar adolescente vão isentar suposto mandante

Midia News
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Os serventes Paulo Ferreira Martins e Carlos Alexandre Nunes da Silva, suspeitos de assassinar a adolescente Maiana Mariano Vilela, em Cuiabá, vão afirmar, no julgamento do caso, nesta terça-feira (18), que o crime não teve mandante.

 

O Ministério Público Estadual (MPE) acusa o ex-namorado da jovem, o empresário Rogério Amorim, de tê-los contratados para executaram a menor.

 

Os três chegaram a ser presos na época, mas foram soltos pela Justiça para aguardar o julgamento em liberdade. Eles serão julgados no Fórum da Capital.

 

Segundo o advogado de Paulo - réu confesso do crime- , Giovanildo Gomes, o seu cliente assassinou a menor após um desentendimento. Ela o teria procurado para assaltar a empresa de pré-moldados de Rogério, no entanto acabaram discordando sobre o valor que “repartiriam”. Ele teve a ajuda de Carlos Alexandre no assassinato, conforme a denúncia.

 

Maiana Vilela desapareceu no dia 21 de dezembro de 2011 e a ossada só foi encontrada em maio de 2012, na região do Coxipó do Ouro, na zona rural de Cuiabá.


“O Paulo confessou o delito na delegacia quando foi preso, confessou em juízo e amanhã no julgamento, ele repetirá a confissão. Mas ele nega veemente, desde a primeira vez que foi ouvido, que o Rogério tenha sido o mandante”, afirmou Gomes em entrevista ao MidiaNews.

 

“Ele [Paulo] diz que já tinha uma data marcada para ocorrer o roubo. A Maiana passou todas as informações, era final de ano, e o Rogério receberia um dinheiro para pagar o 13º dos seus funcionários. Porém eles tiveram um desentendimento acerca de valores e houve um atrito entre eles. Aí aconteceu o fato”, completou.

 

A defesa de Carlos Alexandre, representada pelo advogado Waldir Caldas, disse que seu cliente confirma a declaração de Paulo de que Rogério não foi o mandante.

 

O advogado alegou, entretanto, que Carlos Alexandre não participou do homicídio contra a menor, apenas ajudou na ocultação do cadáver.

 

“Quem executou a Maiana foi o Paulo. O Alexandre não nega que estava no local do crime, mas afirma que teve uma participação de menor importância. Depois da moça morta, ele somente ajudou o Paulo a enterrar a vítima. Essa foi participação dele”, disse.

 

O promotor do caso, Jaime Romaqueli, disse, porém, que os acusados mudaram a versão sobre o fato após supostamente receber dinheiro de Rogério.

 

“Há informações que os advogados do empresário procuraram o Paulo e o Alexandre no presídio oferecendo dinheiro para que eles escondessem a motivação do crime. Tudo isso será demostrando no julgamento”, afirmou.


O advogado do empresário Rogério Amorim, André Stumpf Jacon Gonçalves, afirmou que seu cliente é inocente.

 

“Ele não é mandante desse crime. Eu tenho a certeza da inocência dele. Se você parar para analisar, ele fez tudo pela Maiana. Ele apoiou o estudo dela e se separou da mulher para se casar com ela, tanto que comprou um apartamento para morar com ela”, disse.

 

“Cabe ao Ministério Público comprovar a motivação crime. Por que o Rogério faria isso com a Maiana?”, questionou.

 

O advogado negou ainda a denúncia do Ministério Público de que Rogério comprou uma passagem para a mãe da vítima para o Paraná a fim de “preparar o terreno para o crime”.

 

“O Rogério não tinha razão, nem motivo para isso. Ele sofreu tanto quanto a mãe com a perda da mulher que tinha escolhido para casar. A própria mãe da Maiana relatou em depoimento que não foi o Rogério que a mandou ir visitar a mãe. Foi uma escolha dela como presente que ganhou da filha. Ninguém sugeriu o contrário”, afirmou.

 

“Temos as provas de tudo isso e vamos mostrar em juízo”, pontou o advogado.

 

O crime

Maiana Vilela desapareceu no dia 21 de dezembro de 2011.

Segundo investigações da Polícia Civil, Rogério Amorim deu um cheque de R$ 500 para Maiana descontar no Banco Itaú, no bairro CPA I, em Cuiabá.

Ela teria que levar R$ 400 desse dinheiro para pagar um suposto caseiro, em uma chácara na região do Coxipó do Ouro.

O pagamento era parte do plano de Rogério para atrair Maiana para o seu algoz, conforme a Polícia.

A garota foi até a chácara, entregou o dinheiro para Paulo Martins, que, segundo a denúncia, a matou em seguida, por asfixia. Ele teria recebido a ajuda de Alexandre Nunes.

O corpo da jovem foi enterrado em uma área afastada na estrada da Ponte de Ferro, a cerca de 15 km de Cuiabá, e foi resgatado por policiais na manhã do dia 25 de maio de 2012, após todos serem presos. 


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