29/05/2011 às 22h36min - Atualizada em 29/05/2011 às 22h36min

Barra não produz nem o que come

Ronaldo Couto
Coragem para falar a verdade

A cidade de Barra do Garças, outrora conhecida como a Princesinha do Araguaia e Portal do Araguaia, tenta reagir a todo custo para retomar o seu crescimento da década de 80. Naquele tempo, Barra chegou a ser a quarta cidade do estado. E tinha uma economia pujante. Dava orgulho. Barra era citada constantemente na mídia como o maior celeiro de grãos de Mato Grosso. O maior plantio de arroz do Centro Oeste.


Barra ficava atrás somente de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis e olha que para alguns chegou a empatar com Rondonópolis. Hoje isso parece até brincadeira e muita gente ri. Porque Barra despencou para 10º lugar populacional e 23º lugar em divisão do Fundo de Participação dos Municípios cujo índice é medido conforme a produção de cada município e sua população.


Uma válvula de escape na cidade tem sido a consolidação do pólo educacional com surgimento de várias universidades com sete mil alunos matriculados. Isso é maravilhoso, mas ainda é pouco diante da queda que tivemos.


Porém esse avanço na Educação não pode apagar uma triste realidade de Barra do Garças que é ocultada sistematicamente. Ao longo do tempo, Barra parou de produzir. E parou de produzir o mais simples das coisas, comida. Isso mesmo! Para ser franco e direto ao assunto eu convido a ver a sua panela e refletir comigo.


Desde a dupla predileta dos brasileiros: arroz e feijão; mais a mistura (carne) e até mesmo o tempero vem de fora hoje. É triste, porém é uma constatação. Feijão e arroz já foram produzidos aqui, de forma empírica, pelos pioneiros e hoje são adquiridos em toneladas de outros estados.


Sobre a carne que afeta diretamente o bife. Aquele bife acebolado suculento que todos nós adoramos vem de Nova Xavantina. O frango é literalmente goiano, pois a maioria é de Itaberaí, e o acompanhamento o pequi também é do estado vizinho. A carne suína e ovos vêm de Campo Verde. As hortaliças que ajudam a colorir as mesas dos barra-garcenses são forasteiras. Boa parte vem de Iporá, Bom Jardim e Pontalina.


Sem nenhum demérito aos municípios citados para Barra do Garças é vergonhoso está vivendo esse momento de fim de feira. A Princesinha do Araguaia merecia uma maturidade mais feliz digno de um rainha. Hoje estamos estilo o bonde do Flamengo, sem freio. Porém o bonde do mengão é só felicidade. Já aqui é desespero puro onde estamos dentro de uma carroça sem freio numa descida que vai dar num abismo.


Recorrer aquém nesse momento? Você deve estar pensando, a Deus? Bom é sempre ótimo recorrer ao Criador. Porém ele já tem vários afazeres e nos deu saúde e capacidade para reinventar a roda. O primeiro passo para mudar essa realidade e admiti-la e discutir opções para resolvê-la. Essa discussão pode acontecer após um futebol, numa mesa de bar, após a missa ou depois daquele futebolzinho.


A população pode mudar esse quadro participando mais. Escolhendo melhor nossos lideres políticos e acompanhando a atuação deles para que o Poder Público seja usado em favor do povo.


Mudando esse estado de coisa, a cidade pode retomar o seu crescimento na produção de alimentos. Se não vejamos, um cinturão verde com a produção de hortaliças empregaria centenas de famílias. Para se ter uma idéia mais de quatro milhões de reais saem de Barra do Garças todo mês em hortifrutigranjeiros para outros estados. Esse dinheiro, com inteligência, poderia ficar aqui e aquecer nossa economia.


Com relação à mistura (carne), temos que cobrar praticidade do Poder Público para reabrir os frigoríficos e desenterrar o projeto do frigorífico de aves (Avico).


E não me venham com a desculpa esfarrapada que não existe gente para trabalhar. Isso é mentira. Abrindo o frigorífico de aves vai chover de chacareiros para montar granjas. Até produção de ovos será retomada.


Pode parecer um sonho, mas temos que pensar assim e lutar por uma cidade que dê oportunidades ao nosso povo. Oportunidades de trabalhar e se feliz. Dignidade e felicidade se conquista com autoestima. Um povo feliz é um povo que trabalha. Chega de ver nossos filhos indo embora para Primavera do Leste, Campo Verde, Lucas do Rio Verde em Mato Grosso e Rio Verde em Goiás.


Só mais um dado para confirmar essa descenso de Barra. Há 25 anos atrás, Barra tinha 50 mil habitantes e Primavera estava nascendo. Hoje Primavera tem 50 mil habitantes e se manter esse ritmo passará nossa cidade no próximo censo. Fazer o quê? Primeiro encarar essa realidade sem torcer o nariz para o lado ignorando essa situação.


Vamos alinhar o prumo do nosso barquinho para não afundar no rio Araguaia.
 


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