13/05/2012 às 13h34min - Atualizada em 13/05/2012 às 13h34min

Morre o patriarca da família Almeida Couto aos 93 anos

Albano veio da Bahia para Mato Grosso de cavalo

Araguaia Notícia
Família Albano trouxe vários baianos de Correntina para MT

Faleceu sábado (12) em Guarantã do Norte (725 km de Cuiabá), aos 93 anos, o agricultor Albano de Almeida Couto, patriarca da família Almeida Couto na região de Barra do Garças, divisa de Mato Grosso e Goiás. Ele chegou no Araguaia em 1940 chefiando uma comitiva com mais de cinqüenta baianos que vieram a cavalo, da Bahia para Mato Grosso, atrás de oportunidades.

Natural de Correntina-BA, Albano quando era adolescente recebeu uma carta de Antônio Primo convidando-o para morar em Mato Grosso. Antônio Primo veio a pé para o Araguaia a procura de prosperidade. O agricultor aceitou o desafio e veio a cavalo. Foram três meses de viagem. Dois anos depois, ele voltou a Correntina para pegar a família e trouxe vários conhecidos. Naquela época, dizia Albano, a viagem era pelo rumo e durante a jornada muitos passavam até mesmo fome e frio. Uma passagem interessante aconteceu quando eles chegaram perto de Brasília e depararam, pela primeira vez, com um carro. Foi um alvoroço só. Muitos correram pro meio do mato e animais da comitiva escaparam.   

A primeira parada foi em Baliza onde Albano trabalhou como garimpeiro e se casou com Orozina Martins de Moraes. Depois se mudou para Barra do Garças onde teve fazenda próximo ao rio das Mortes em Toricueje e depois em Pontal do Araguaia. Ao lado de Orozina criou sete filhos: Adão, Ademar, Alcir, Maria, Eva, Francisco e Ladislau; e mais o neto Ronaldo de Almeida Couto (filho de Adão e Eunice Japonesa), porém criado como filho pelo agricultor.

No início da década de 90, Albano mudou para Guarantã do Norte onde tem uma pequena propriedade e morava com a família do filho Francisco Couto. Na comitiva que Albano liderou vieram os pioneiros Antônio Padeiro, João da Vaca, Benedito, tia Messias (que viveu até os 102 anos no bairro Santo Antônio), tia Ciriaca faleceu com 100 anos, Sebastião Campos, Aristide, Judith, dona Viana que faleceu com 80 anos, entre outros.

As irmãs de Albano: Francisca, Cassiana e Generosa, que já passaram dos 80 anos, moram hoje em Barra do Garças, Nova Xavantina e Goiânia, respectivamente. O primo dele, seo Domingos, que participou da comitiva para MT, está hoje com 91 anos, todavia optou em voltar para Bahia.

Francisco informou que Albano estava até bem de saúde, porém sábado à tarde passou mal com dificuldade para respirar e foi hospitalizado. À noite, seu quadro piorou vindo a falecer por volta das 22 horas. No próximo dia 24 de maio, Albano faria 94 anos.

Albano deixará saudade não só na família, mas também nos baianos que acreditaram no sonho de prosperidade do agricultor e hoje são mais de mil esparramados pelo Araguaia. Descanse em paz, Albano de Almeida Couto.


 


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