13/10/2016 às 07h07min - Atualizada em 13/10/2016 às 07h07min

Editor de Barra do Garças tem artigo publicado nacionalmente sobre os 20 anos da morte de Renato Russo

Portal Terra

Reprodução

Dia 11 de Outubro completou vinte anos da morte do cantor e compositor Renato Russo que marcou toda uma geração. Várias homenagens foram feitas no Brasil. O portal Terra na coluna AreaH, cuja seção os leitores têm oportunidade de comentar determinado assunto, abriu espaço para os fãs lembrarem do cantor.

E um comentário de Barra do Garças foi postado pelo editor da TV Centro Oeste (SBT), Aislândio Miranda, um admirador do cantor que fez sucesso na Banda Legião Urbana e depois em carreira solo.

Acompanhe o artigo do Lândio porque recordar também é viver:

Aislândio Miranda
Especial para o AreaH

Em 11 de outubro de 1996, perdíamos o maior poeta que o rock brasileiro produziu: Renato Manfredini Júnior ou, simplesmente, Renato Russo. Uma data que muitos da minha geração não gostariam de estar lembrando.

Acho que muitos nesse momento irão questionar e dirão que tivemos outros como Cazuza, Tim Maia, Raul Seixas - e não discordo -, mas acho que nenhum deles teve a expressão musical que o Renato criou em sua época, com letras fortes, questionadoras e que após vinte anos da sua morte parecem ser tão atuais.

Quem ouve, por exemplo, que “País é Esse” ou “Geração Coca-Cola” pela primeira vez acha que foram escritas na semana passada, de tão atuais que são, correto?

Mas aí me veio uma dúvida: será que o Renato era um Messias que conseguia ver o futuro, ou o Brasil - que se acha tão desenvolvido - ficou parado no tempo com a mesma podridão na política, na educação, na saúde...? Afinal, que país é esse?

Mas vamos falar das obras do Manfredini...

Quem nunca se emocionou ao ouvir “Pais e Filhos”, se colocou no meio daquele conflito e se identificou com um dos personagens? Quantos filhos e pais não se reconciliaram depois de ouvi-la?

Quem nunca se imaginou em um romance igual ao do Eduardo e Mônica?

Quem nunca esteve em uma roda de amigos tocando violão, ou naquela “festa estranha com gente esquisita”, ou preferiu de tarde ir à praia e ver se o vento estaria forte?

Quem nunca se identificou com “Química” por preferir “educação sexual” a matemática, química e física?

Quem nunca se imaginou em umas das letras do Renato?

Quem nunca?

São tantas canções que tocam nossa alma e transbordam nosso coração de alegrias e boas lembranças que até nos emocionam, afinal, tenho certeza de que algumas das músicas dele já fizeram parte de algum momento especial da sua vida.

E mais, tenho certeza que você está nesse momento se lembrando ou cantarolando alguma enquanto lê.

Renato tinha uma forma especial de escrever que permite o ouvinte se transportar para a história de cada uma de suas músicas e imaginá-las em nossas vidas. Ele conseguia transformar o cotidiano em belas canções, transformar as coisas simples ao seu redor em memoráveis.

Nossa, como eu gostaria de ser amigo desse cara e fazer parte das músicas dele...

Por esses motivos acho a obra do Renato incomparável. Por ela se manter tão atual ao longo dos anos, de sobreviver ao mar de lixo fonográfico jogado todos os dias através das ondas do rádio e da TV, do lixo virtual que circula na rede.

Somos sobreviventes e carentes de coisas boas e Renato, tão brasileiro, alivia essa dor. Afinal, para um país que não valoriza seus verdadeiros artistas e se contenta com tão pouco, a obra de Russo está aí para confirmar que existem coisas audíveis.

Mesmo com tanto enlatados jogados pela mídia garganta abaixo, há quem resista e aprecie boa música. A “modinha” passa, mas a obra sobrevive ao tempo e é passado de geração a geração.

De pais para filhos.

(*) Aislandio Miranda tem 37 anos e é formado em Marketing. Atualmente trabalha como editor de vídeos.

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